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The Spookhouse

21/12/2008

Ontem à noite você foi até o pub da esquina e tomou umas com os amigos. Estava meio alto na volta, mas como veio conversando, o percurso foi tranquilo – salvo os três ou quatro vômitos na calçada.

Claro que poderia ser simplesmente efeito do uísque, ou da vodca, ou da cerveja, ou de todos eles juntos, mas o fato é que você tem certeza que ouviu uivos vindos daquele beco. Tentou chamar a atenção dos seus amigos, mas eles estavam bem piores que você então não deram a mínima.

Também não viram quando aquele carro escuro com os vidros fumês parou ali no meio-fio e, como quem não quer nada, um cara usando um chapéu coco e um par de luvas estranhas saiu dali e correu direto para o lugar. Seus amigos riam e gritavam. Do beco, um ganido e três socos.

O homem com o chapéu coco voltou, apertando os punhos e massageando a testa.

As mãos manchadas de sangue.

Entrou no carro, então dois caras saíram; com certeza subalternos. Voltaram ao beco e pegaram o que quer que fosse que estava lá e jogaram no porta-malas do carro. Um deles ainda fingiu bater continência para você.

E foram embora, como se nada tivesse acontecido.

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RPGWiki

16/12/2008

A Daemon Editora começou um dos maiores projetos de RPG já elaborados. Através da tecnologia Wiki, estamos criando um gigantesco banco de dados sobre o RPG no Brasil, que terá informações sobre todos os livros, escritores, desenhistas, editoras, eventos, sites, blogs, revistas, mestrados, doutorados, live-actions, associações, sistemas e tudo mais que você puder imaginar.

http://www.daemon.com.br/wiki

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Claro que no começo sempre vai ter a puxação de sardinha pra um lado e pro outro, mas eu gostei da idéia. Quem sabe ajude a unificar algumas coisas e divulgar outras. 😀

RkH: Sobre Marsya

01/12/2008

 

O Registro dos kala Hakiel

Escrito por Ágaris e Léderon, dois dos três discípulos de Hakiel Dohergan; o homem que, há pouco mais de dez anos, sacrificou sua vida para salvar milhões ao selar a Grande Besta nos céus de Audule. O legado deixado aos sucessores foi o de continuar com sua busca por uma maneira de livrar a humanidade da ameaça dos Espíritos.

 

Sobre Marsya

A minha estada em Marsya não foi das maiores. Confesso que devo voltar lá no futuro e complementar meus registros. Fiquei no reino por pouco mais de um mês e a maior parte do tempo passei na cidade natal de Ágaris, Lebrus. A partir desta vila típica das Terras de Marsa, pode-se, de certo modo, traçar um panorama do reino todo. As pessoas lá são amáveis e unidas. Ágaris é um perfeito representante daquela terra e, se eu conhecesse aquele lugar antes, com certeza diria de onde ele veio. O povo fala de uma maneira bonita, altiva e pontuada, como pouco se vê em outros lugares.

Ainda são distantes com habitantes de outros lugares, especialmente de outros reinos, para os quais parecem ter sentido aguçado. Detectam alguém de terras vizinhas assim que ouvem uma palavra ou vêem o modo de andar. Apesar disso, estão começando a se acostumar com a visita de pessoas distantes, visto que Lebrus está crescendo cada vez mais sob o comando de Lorde Lasenel. As estradas são boas, e as fazendas e a produção do feudo, bem organizados. Toda região de Eonya reflete o domínio do senhor daquelas terras.

A nação dos marsi é vasta, e templos de todos os ayena pululam em meio às vilas e encruzilhadas. Parece-me que em todo o reino a preferência por Alamira e Ebrenyo é destacada, não sendo diferente em Lebrus, onde há um templo honrando as duas divindades, junto a Ambrenan. Há cultos todos os dias, ainda mais fervorosos nos últimos tempos, visto que recentemente – e quando escrevo isso, ressalto que estamos caminhando para o outono de 3645 – houve perturbações profundas no Devaya, resultando em manifestações espirituais diversas em algumas fazendas. As pessoas estão com medo e rezam como nunca vi. Apesar da terrível história do Norte, Lebrus não foi tão afetada como as outras regiões por causa dos espíritos; aqui essas criaturas ainda são um mistério aterrorizante. Os poucos habitantes que, pode-se dizer, são acostumados com as idéias, são os conhecidos e parentes dos Liondradan, que são informados pelas descobertas que Ágaris envia em suas cartas para a mãe. Isto não muda o fato deles também terem medo; apenas os alivia do terror exagerado que algumas pessoas pregam.

No nordeste do território marsi, onde fica Lebrus, está a única estrada segura que conduz ao norte de Epasya, passando pela Ponte da Barragem do feudo, por sobre o rio Ghruta, o marco fronteiriço entre os reinos. O rio é largo, e mesmo nos pontos onde suas margens ficam mais próximas, é necessária uma ponte de pelo menos vinte metros para atravessá-lo.

Ouvi falar das pessoas da região – e isso inclui a mãe de Ágaris – que, quando houve a Primeira Praga, o Ghruta foi usado pelo Exército Real para a purificação da área. Imagino o quão perturbador deve ser a visão de centenas de corpos flutuando rio abaixo. Ainda dizem que o lugar é assombrado e que, Às vezes, é possível ouvir pessoas choramingando em suas margens. Pelo menos enquanto estive lá, não ouvi nada.

Fiz um esboço rápido de como é a cidade. Preciso desenhar mais.

 

 

Léderon kala Hakiel

28º Dia do Ganya de 3645


Você pode ver um mapa de toda a Grande Região de Haminar aqui e o desenho de Léderon aqui.

 

 

E sim, isso é uma tentativa de variar na descrição de lugares. O que acham de um cenário escrito todo (ou quase todo) em primeira pessoa? 🙂

Quando todas as noites se foram (2 de 2)

06/11/2008

Quando todas as noites se foram é um conto em primeira pessoa, narrado por uma mulher que viu o surgimento do Pilar do Norte há 179 anos, no reino de Inkara. O evento, o mais importante de todo o mundo de Séghen, hoje é chamado de Explosão das Almas, e graças a ele o planeta nunca mais voltou a ser como era.

A segunda parte do conto mostra um dos efeitos drásticos e imediatos do evento, que em alguns lugares e em determinadas situações, podem voltar a acontecer.

 


 

 

 

Quando todas as noites se foram – Parte 2 de 2


por Bruno “Léderon” Müller

 

Os gritos foram aos poucos passando. Por mais que só tivesse ouvido tudo aquilo de olhos fechados, sabia que alguma coisa muito ruim havia passado por todas nós. Algo que realmente estava sofrendo e que precisava se libertar de alguma coisa. Tive certeza do que pensei quando abri os olhos. Vi que as outras mães tinham feito o mesmo: abraçaram suas filhas como se fossem âncoras que as prendiam à terra. Todas choravam. Olhei à minha volta. Aqui e ali, luzes e névoas estranhas apareciam, para então sumir do ar assim que eu as via. As árvores estavam diferentes, como que… tristes, não sei dizer. Os galhos todos se retorceram, as folhas e o tronco ganharam um aspecto pálido e morto. A grama havia se desbotado, e o céu ficou cinza, claro, sem nuvem nenhuma. O sol e a outra luz continuavam lá. Na ânsia de proteger minha filha, não percebi que agora eu estava cheia de cortes nos braços, sangrando em alguns pontos. Minha pele estava seca, e dava a impressão de que descamaria a qualquer momento.

O mesmo acontecera com todas as outras que, pouco a pouco, se levantaram e, junto comigo, ficaram estupefatas com a situação. Em silêncio, e sem olharmos uma para outra, pareceu que fizemos um juramento de permanecermos juntas e nos protegermos. Aos poucos, instintivamente, formamos um círculo, deixando as crianças no centro. O que quer que acontecesse dali em diante, ao menos as meninas estariam bem.

– O que… aconteceu? – Disse uma das minhas amigas, quebrando o longo silêncio. – O que está acontecendo?

Não houve resposta.

Como se tudo aquilo não pudesse ficar ainda mais estranho, um outro som veio do oeste. Um rangido ensurdecedor. Parecia uma grande porta de metal se deslocando e rangendo pesadamente. O barulho se alternava. Ficava mais agudo, para então ficar grave de repente. A terra estremecia, acompanhando tudo aquilo, como uma valsa horrenda de ruídos e tremores.

Silêncio.

Silêncio.

E então um grito. Minha filha, desesperada. Sem pensar, a abracei e tentei acalmá-la. Ela se contorcia, urrava, e seus olhos começaram a se encher de lágrimas de sangue. Logo, começou a acontecer o mesmo com todas as outras meninas. Arrancavam seus cabelos, rasgavam suas roupas com uma força que não deveriam ter, e começaram a nos atacar. Não falavam coisa com coisa, resmungavam e ficavam em posições impossíveis para seus pequenos corpos delicados de criança. Não sabíamos o que fazer. Apenas nos defendíamos dos ataques, e gritávamos com elas, as mandando parar. Mas eu sabia que aquilo era inútil. Sabia que não iam parar.

Minha filha, minha filha.

Em um momento, as meninas se jogaram no chão, e começaram a cavar. Seus dedos ficaram em carne viva. Urravam, gritavam, veias saltavam de seus braços e pescoços. Vomitaram sangue várias vezes. E todas nós olhando aquilo, chorando, incapazes de fazer qualquer coisa.

Elas continuavam gritando. Às vezes, uma ou outra parava, e ficava olhando para a mãe, com um semblante triste e desesperado, apesar do corpo continuar em movimento, cavando. Minha filha, não. Ela não me olhou nenhuma vez. Depois de muito tempo olhando aquela cena e tentando impedi-la a todo custo, a mais nova de nós, mães, começou a gritar também. Ela atacou uma outra, sem sucesso, e então caiu no chão, chorando sangue, babando e se contorcendo perturbadoramente. Assim como as meninas, e com uma força bem maior, começou a se cortar, rasgar as roupas e falar coisas estranhas e incompreensíveis. Arrancava seus cabelos aos montes, para então olhar para alguma de nós com olhar de tristeza, como se não tivesse controle sobre o próprio corpo.

Uma a uma, as outras foram sucumbindo àquele estado de frenesi e loucura. Todas começaram a cavar, ajudando as meninas. Só sobrou uma amiga minha e eu, as mais velhas do grupo. Nos abraçamos e choramos, vendo tudo aquilo. À distância, ouvíamos gritos vindos de todos os lados: das casas, das estradas e da cidade. A terra começou a ganhar uma coloração lilás brilhante, até se iluminar toda nas áreas onde as meninas e as mulheres, enlouquecidas, cavavam. Logo, elas próprias ganharam um brilho roxo mórbido, e eu não conseguia mais distinguir o que era terra do que era carne. Passaram a se tornar uma coisa só. Não via mais a minha filha… ela fora tragada pela terra, e agora partes dela se misturavam às outras. Seus olhos, suas mãos, seu cabelo. As outras começaram, também, a se desfazer em membros distorcidos, fundindo-se à terra, que passou a se mexer sozinha.

Minha filha, minha filha…

O chão tremeu, e uma coluna de terra e partes de corpos destruídos se ergueu do solo, bem na nossa frente. Gritávamos, e eu sentia gosto de sangue na garganta. Não conseguia correr, apesar do terror que sentia. Na cidade, lá longe, uma grande massa de terra se ergueu, levantando casas, árvores e centenas de pessoas desmembradas. Sangue por todos os lados.

Foi então que minha amiga, que estava do meu lado, me empurrou de repente. Ela chorava e gritava comigo, mas eu não sabia o porquê. Eu senti como se um gancho enorme estivesse preso no meu estômago, e tivesse me puxado para cima, do nada. Então eu me vi, meu corpo, olhando para minha amiga. E eu me vi me contorcendo, fazendo tudo exatamente como as outras tinham feito. E eu me vi… me vi me tornar parte da massa de terra e membros, em pedaços. Vi aquilo sem sentir emoção alguma. E minha amiga ficou lá, sozinha, até ser esmagada pela coluna de terra, que caiu sobre ela. Eu vi minha filha… e vi as amigas dela… e as minhas amigas. Estavam me olhando, em um lugar estranho, bizarro. Nós não tínhamos corpos, mas mesmo assim, sabíamos exatamente quem éramos e quem eram as outras. Abracei mais uma vez minha filha.

E fomos tragadas pelo turbilhão de almas enegrecidas.

Quando todas as noites se foram

29/10/2008

Quando todas as noites se foram é um conto em primeira pessoa, narrado por uma mulher que viu o surgimento do Pilar do Norte há 179 anos, no reino de Inkara. O evento, o mais importante de todo o mundo de Séghen, hoje é chamado de Explosão das Almas, e graças a ele o planeta nunca mais voltou a ser como era.

 


 

Quando todas as noites se foram – Parte 1 de 2

por Bruno “Léderon” Müller

 

Eu queria não ter nascido. Queria não ter vivido. Queria não ter morrido da maneira que morri. Eu nunca poderia imaginar o quão ruim os deuses poderiam ser, mesmo àqueles que neles crêem e prestam homenagens. Não entendo o porquê de não terem impedido tudo aquilo. Não entendo. Poderia ter sido diferente. Poderiam… ter salvo… a minha filha.

Naquele dia, naquele maldito dia, me lembro bem, eu estava lavando roupa, no riacho que passava atrás da nossa casa. Morávamos um pouco afastados da cidade; no campo, por assim dizer. Minha única filha estava então com sete anos. Ela estava a poucos metros de mim, brincando na água com outras meninas que moravam perto de nossa casa, filhas de amigas minhas. Estava tão feliz naquele dia, tão animada. O pai havia feito para ela uma boneca de palha, que ela insistia em afundar no rio, apesar de deixarmos bem claro que assim iria estragá-la.

Ela veio correndo até onde eu estava, gritando, segurando o pequeno cadáver da boneca. As amiguinhas, lá longe, não sabiam se riam ou choravam da cena. Eu tive vontade de rir muito ao ver a palha encharcada, se desfazendo em um monte de plantas mortas. Pensei em dizer “Eu avisei”, mas não seria muito sensato.

– O que aconteceu? – Forcei um rosto de espanto.

– Mãe… mãããe… ela morreu… – ela disse, com os grandes olhos verdes cheios d’água. – A gente tava brincando… e ela caiu na água…

A concepção de “cair” era pegar a boneca pela cintura e a enfiar quantas vezes fossem necessárias na água, até ter certeza de que ela havia dobrado de peso, ao absorver tanta água.

– Caiu na água? Mesmo? – Eu disse, levantando as sobrancelhas.

– É… caiu… – Ela disse, abraçando a boneca e se molhando ainda mais, como se fosse possível.

– Hum, me dê ela aqui. – Eu disse, pegando a boneca. Olhei onde um dia estiveram os olhos da boneca, e então disse, solene. – Ela não morreu. Só está dormindo.

– Mas ela não está falando mais! E eu apertei ela e balancei e tudo!

“Não está falando mais?”, pensei. Crianças às vezes me davam medo, apesar de eu adorá-las.

– Ela deve ter o sono pesado, querida. Vá brincar, vá, que eu vou colocar ela na cama e dar um remédio prá ver se ela melhora.

– Remédio? Mas ela não tá doente… não falou que ela tava só dormindo? – Disse, intrigada.

– É… é mesmo, querida. – Me pegou despercebida.

Levei a boneca até dentro de casa, e a deixei sobre a mesa, secando. Quando meu marido chegasse da caça, à noite, consertaria. Fiquei um tempo olhando para a boneca: agora um montinho de palha encharcada, enrolada em um pano que pensava que era um vestido. No tempo de olhar para a boneca, e então olhar para fora, ouvi um estrondo. Um estampido tão alto e tão grave que fez o chão tremer. As meninas começaram a gritar lá fora, e eu fiquei desesperada. Saí, e elas vieram correndo em minha direção. As árvores se dobraram como se estivessem numa ventania muito forte, os seixos do rio saltaram da água, e uma onda se formou na superfície, seguindo o curso do riacho. Em alguns pontos, nas montanhas, eu vi deslocamentos de terra, e partes de floresta deslizando abaixo. As próprias nuvens foram empurradas com tanta força que formaram um grande círculo no céu. O que quer que estivesse no centro daquele círculo, para causar tanta confusão, eu não queria saber.

Abracei as meninas, e mesmo confusa e com medo, tentei as acalmar com a primeira coisa que veio à minha mente.

– Calma, calma, foi só um trovão! – Eu disse. As árvores continuavam se balançando na direção oposta de onde veio o estrondo.

– Mas não tá chovendo! – Disse uma, que começou a chorar. As outras, obviamente, a acompanharam no berreiro.

É, não estava chovendo. Crianças. Pensam rápido demais. Na confusão, nem percebi que o rio havia levado toda a roupa, e até mesmo a bacia que eu estava usando.

– Eu quero a minha mãe… – Começou outra menina.

– Eu também quero… quero ir embora! – Disse outra.

Não foi nem preciso pensar no que fazer. O instinto maternal é mais forte e, assim que eu pensei em levá-las embora, as mães apareceram na porta de casa, me chamando e querendo as filhas, que foram prontamente.

– O que foi aquilo? – Perguntei a uma delas.

– Não sei… e tenho medo de saber o que é. Mas olha prá lá, olha. – Ela apontou na direção de onde o som havia se propagado.

O que eu vi foi estranho. Era de manhã, e o sol estava baixo, atrás de mim. Lá longe, no oeste, no vale, havia uma luz estranha. Uma claridade muito forte. Muito forte. O céu lá estava branco, e feria os olhos.

– Aquilo é… outro sol?! – Disse eu, desconcertada.

– Não sabemos! Mas é o que parece! – Disse outra mãe, abraçando a filha.

Até que, o que quer que fosse aquela luz, começou a mudar. Antes encostada no horizonte, como um sol nascente, ela começou a se alongar em direção ao céu. Formou uma imensa linha de luz, cortando o céu naquela direção. As nuvens rodopiavam, formavam redemoinhos surreais e adquiriam cores estranhas, todas fugindo daquela coluna de luz.

As meninas nos abraçavam cada vez mais apertado, todas chorando. Não sabíamos o que fazer. Apenas ficamos estupefatas, olhando o que parecia ser a criação bizarra de um segundo sol.

Depois de alguns minutos, as árvores pararam de balançar, e o tremor da terra cessou. Tudo ficou no mais absoluto silêncio: até mesmo as crianças ficaram quietas. Do oeste, diretamente da luz estranha, veio um som estarrecedor. O que posso dizer é que parecia o de milhões de vozes de pessoas sendo massacradas, gritando muito alto, desesperadas. Minhas mãos foram diretamente às orelhas da minha filha, para ela não escutar aquilo. Eu já não via mais nada do que acontecia à minha volta. Ajoelhei, abracei minha menina, fechei os olhos e rezei muito. Aquilo não podia ser real. Não podia estar acontecendo. Parecia o fim do mundo.

Talvez fosse.

The Brimstone Society

25/10/2008

Os antigos habitantes de Atlântida que sobreviveram ao cataclisma de sua antiga ciuvilização se espalharam pelo mundo. Começaram pelas fronteiras do reino antigo, pela África e a América. Muitos deles abusaram de seus conhecimentos secretos e dominaram povos, tornando-se líderes, heróis e deuses, manipulando os antepassados dos fundadores das nações atuais. 

À parte a corja atlanteana que criava guerras e discórdia entre os povos, juntando riquezas e conhecimentos profundos, surge o que hoje é chamada de Sociedade do Enxofre: atlanteanos que se reuniram para caçar os vilões da antiga Atlântida, pilhando seus tesouros e protegendo a sociedade humana. 

Sabe-se que a Sociedade detém um grande conhecimento avançado sobre engenharia genética, sendo que vários dos seus membros possuem mutações corporais diversas, até mesmo aplicáveis a seres humanos pertencentes à fileiras da organização.

Mas não é sempre que elas dão certo.

Continuando o universo de Predadores Atlantes, The Brimstone Society traz detalhes sobre a organização, mutações, novos poderes e personagens para jogo. É só ver nos Downloads

A velha que caçava gatos (2 de 2)

16/10/2008
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Gatos. Dezenas. Talvez centenas. Obviamente, não fiquei parado na rua olhando, mas quem estava passando percebeu que eu fiquei alguns segundos de boca aberta e sobrancelha levantada tentando assimilar a informação, um dos mistérios da minha infância agora parcialmente revelado. 

Depois desse dia, eu passei a observar ainda mais a velha. Comecei a mudar o caminho da escola para segui-la e tudo mais. Tá certo que eu parecia um paranóico, mas enfim… acabei tendo resultados. Acho que uns dois dias depois que começaram as férias de julho, eu vi ela voltando pra casa com a mesma bendita sacolinha que carregava todos os dias. 

Só que agora tinha uma coisa dentro. 

Eu estava sentado no portão da minha casa, lendo – putz, faz tempo que eu não faço isso -, então ficaria muito estranho se eu me levantasse pra segui-la, mas nem precisei. O que consegui ver foi bem… estranho. Saindo da sacolinha de supermercado via-se o que só podia ser o rabo de um gato, de pêlo longo preto e com a ponta branca, já endurecido pelo rigor mortis. Não é comum ver gatos de pêlo longo perambulando pela rua, visto que normalmente são acessórios de madame. Será que ela pegou aquele em algum lixão ou coisa do tipo? 

Também não pude deixar de perceber que depois que ela passou, um cheiro de coisa morta ficou pelo caminho por alguns minutos. Tá certo que ela não era lá o exemplo de higiene, mas dessa vez a coisa realmente fedia.

Dessa vez não consegui resistir. Não comentei com nenhum amigo ou colega meu sobre as minhas suspeitas por que com certeza iriam me chamar de doido. Na manhã seguinte, após chegar da aula, eu fui direto para a casa da velha, sozinho. Fui com um caderno e uma caneta, sei lá o porquê, não lembro; acho que era pra me disfarçar de estudante-fazendo-pesquisa ou coisa do tipo. O marido dela, o que vigiava a rua o dia todo, não estava na calçada. Melhor. 

Parei em frente ao portão dela. Coloquei o caderno sob o braço. Ergui as mãos para bater palmas. 

O portão se abriu. 

A velha saiu e olhou nos meus olhos, e através deles. Então passou por mim como se ninguém estivesse ali. Atrás dela veio um gato, de pêlo longo, todo preto e com a ponta do rabo branca. Ele se esfregou nas minhas pernas antes de segui-la pela rua, descendo. 

Ela ia com uma sacolinha vazia nas mãos.